Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2018 - Ano 6

BC facilita uso de cartão no exterior ao mudar dia de referência do câmbio

3 dezembro, 2018
BC facilita uso de cartão no exterior ao mudar dia de referência do câmbio

As compras feitas com cartão de crédito no exterior serão convertidas em reais pela taxa de câmbio vigente na data da operação, e não mais pela cotação do dólar no dia de pagamento da fatura. A medida, que deve entrar em vigor a partir de março de 2020, foi anunciada pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn. Os bancos também serão obrigados a informar ao cliente quanto ele gastou em cada compra.

Na avaliação do presidente do BC, as medidas permitem que os clientes de cartões tenham maior previsibilidade em relação ao valor a ser pago no vencimento das faturas. Com taxa de câmbio travada no momento da compra, os consumidores não mais serão surpreendidos com a variação da cotação da moeda estrangeira entre o dia do gasto e o dia de pagamento.

“Isso (o fechamento do câmbio no dia da compra) será obrigatório com essa regra, mas é verdade que muitos bancos já oferecem esse serviço ao consumidor, que pode negociar com a instituição”, destacou Goldfajn. “Às vezes, o que ocorre é que o que o cliente compra não é o que ele paga. O que estamos instituindo agora é que a taxa terá de ser do dia em que o cliente comprou”, explicou.
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Pela nova regra, criada por meio da Circular nº 3.918 do BC, a empresa administradora do cartão de crédito terá que tornar disponível, em todos os canais de atendimento ao cliente, a taxa de conversão da moeda estrangeira para reais utilizada no dia anterior aos gastos, e publicar, na forma e condições estabelecidas pela norma, informações sobre o histórico das taxas de conversão de câmbio.

A medida foi anunciada por Ilan Goldfajn ao fazer o balanço do segundo ano da agenda BC+, conjunto de medidas voltadas a aumentar a eficiência do sistema financeiro e reduzir o custo do crédito no país. Ele destacou que, das 68 ações da agenda, 41 foram concluídas e outras 27 estão em curso. Conforme dados apresentados pelo presidente do BC, o custo médio do crédito para as famílias, que estava em 52,3% ao ano em fevereiro de 2017, passou para 44,5% em setembro deste ano.

Agenda
Na avaliação do presidente da autarquia, o novo governo deverá dar continuidade à agenda para que a queda do custo do crédito seja ampliada e mais duradoura. Propostas que tramitam no Congresso, como a que confere autonomia à autoridade monetária; a que estabelece nova relação entre BC e Tesouro na contabilização dos resultados cambiais das reservas (que distorcem as contas fiscais); e a que institui o cadastro positivo de bons pagadores estão avançando, mas ainda não há previsão sobre quando podem ser votadas.

Goldfajn traçou um cenário otimista para a economia. Ele destacou que a atividade está se recuperando gradualmente e que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,4% neste ano e 2,4% em 2019. A mediana das previsões do mercado financeiro para o aumento do PIB no ano que vem está levemente acima das estimativas do BC: 2,5%.

No entanto, as previsões para a taxa básica de juros (Selic), que está na mínima histórica de 6,5% ao ano desde março deste ano, apontam para um aumento a partir de 2019, que será um ano bastante desafiador do ponto de vista fiscal para o novo governo. Por isso, a tendência de continuidade da queda dos juros do crédito, que ainda se encontram em patamares muito elevados em comparação com outros países, é uma dúvida.

Transcrição de texto pelo SN do https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia

Imagem de capa reprodução da internet do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn