Quinta-Feira, 19 de Julho de 2018 - Ano 6

Responsável pelo gramado do Mané Garrincha cuidará de cinco arenas no Catar

11 julho, 2018
Responsável pelo gramado do Mané Garrincha cuidará de cinco arenas no Catar

Na entrevista coletiva o técnico da Seleção, Tite, elogiou o padrão de qualidade do gramado da Arena Rostov. “Um tapete, um tapete”, repetiu, isentando o piso pelo tropeço na estreia. No Brasil-2014, na Rússia-2018 ou no Catar-2022, a disputa pelo projeto, construção, instalação e manutenção dos campos de jogo é uma Copa do Mundo à parte, disputada bem longe dos holofotes…

O Correio apurou na Rússia que uma empresa brasileira será responsável por mais da metade dos gramados da Copa de 2022, no Catar. Contratada pelo Governo do Distrito Federal para cuidar do piso do Mané Garrincha desde a inauguração da arena, em 2013, a Greenleaf assinou contrato para ser responsável por cinco campos da próxima edição do Mundial. Dos oito estádios que receberão as partidas da 22ª edição do Mundial, cinco fecharam com a firma carioca: Al Wakra Stadium, na cidade de Al Wakrah, Ahmed bin Ali Stadium (Al Rayyan), Qatar Foundation Stadium (Doha), Al-Bayt Stadium (Al Khor) e Al Thumama (Al Thumama).

A empresa é a mesma que prestou serviços para a Fifa em 2014. Na época, era responsável pelos gramados de Maracanã, Mané Garrincha, Mineirão, Arena Pernambuco, Arena Fonte Nova, Arena Castelão e Arena da Amazônia, além de ter feito o projeto da Arena Corinthians. Hoje, é responsável pelos campos do Mané Garrincha, Maracanã, Arena da Amazônia, Fonte Nova, Mineirão e Castelão. Segundo uma fonte consultada na Rússia, o trabalho no Brasil teria encantado os xeques árabes. A reportagem tentou contato com a Greenleaf, mas a empresa não está autorizada a se pronunciar enquanto as arenas com as quais firmou contrato não forem inauguradas.

A abertura do Catar a empresas estrangeiras contrasta com o fechado mercado russo. Nenhum dos 12 estádios da Copa de 2018 tem mão de obra brasileira. Apenas uma firma inglesa conseguiu contrato. A maioria dos estádios é zelada por estabelecimentos do próprio país. “A companhia SIS é a exceção. Todas as demais são russas”, conta ao Correio Vladmir Potapov, um dos responsáveis por supervisionar a qualidade dos gramados na Copa.

Segundo ele, a britânica SIS construiu os gramados do Luzhniki e do Spartak Stadium, ambos em Moscou, e das arenas de Krasnodar, Kazan, Rostov e Kaliningrado. A empresa trabalha para clientes como o Barcelona (Camp Nou) e o Real Madrid (Santiago Bernabéu).

Palco da final no próximo dia 15, o gramado do Luzhniki foi tratado com zelo desde o início da Copa. “Luzhniki teve o programa mais pesado de jogos e treinamentos, além de sediar a cerimônia de abertura e os ensaios para a cerimônia de abertura. Realizamos seis ensaios para a cerimônia de abertura, 15 sessões de treinamento e sete partidas. Manter um campo nessas circunstâncias é um desafio”, explica o CEO da SIS, George Mulan.

A atenção ao gramado contou com uma mão de obra pesada. “Nós tivemos 12 pessoas no estádio garantindo que a superfície estivesse perfeita antes de cada jogo. Eu estive no estádio não para ver jogos, mas para me concentrar na superfície”, acrescenta o executivo.

O restante ficou com firmas russas: Protcion (Volvogrado e Nizhniy Novgorod), Bamard (Ecaterimburgo e São Petersburgo) e Sportin (Saransk). O Fusht Stadium, em Sochi, foi construído para a Olimpíada de Inverno de 2014, portanto, tinha manutenção própria. O Correio apurou que empresas de fora tentaram entrar, mas não concordaram com certas obrigações. Uma delas, o repasse de 20% do faturamento no país.

“A companhia SIS é a exceção. Todas as demais (que cuidam dos gramados) são russas”
Vladimir Potapov, um dos responsáveis por fiscalizar os gramados da Copa

Tecnologia cada vez mais avançada

Assim como no Brasil, as empresas responsáveis pelos gramados dos estádios da Rússia usam tecnologia de ponta. Todos os 12 pisos têm drenagem a vácuo e sistema de aquecimento no solo. Apenas o estádio de São Petersburgo usa sistema um pouco mais avançado, chamado de misto, que será utilizado nos quatro estádios do Catar que terão assessoria brasileira. Além disso, usam luzes artificiais para suprir a falta de sol no país. O forte calor do verão tem colaborado, mas volta e meia o tempo fecha em Moscou e a chuva é pesada.

Assim como na África do Sul e no Brasil, houve preocupação na fase de mata-mata com a redução dos treinos oficiais no piso na véspera dos jogos. Brasil e Bélgica, por exemplo, não puderam treinar na Arena Kazan. Tite levou a delegação para um outro estádio do Rubin Kazan, o principal clube da cidade, onde jogaram, por exemplo, Carlos Eduardo e Roni.

Alguns campos de jogo apresentaram falhas na fase de grupos. Foi possível notar, por exemplo, no clássico ibérico entre Portugal e Espanha, em Sochi. A expectativa dos organizadores é de que nas últimas rodadas — semifinais e final —alguns gramados estejam bem desgastados. São os casos de Luzhiniki e Arena São Petersburgo, responsáveis por abrigar as semifinais, decisão do terceiro lugar e a finalíssima no próximo dia 15.

Gramados da Copa de 2014 que recebem manutenção da firma responsável por estádios na Copa do Catar: Mané Garrincha, Maracanã, Arena da Amazônia, Fonte Nova, Mineirão e Castelão

Transcrição de texto pelo SN do https://www.df.superesportes.com.br

Imagem de capa do Estádio Al Rayyan, onde a Greenleaf será responsável por tomar conta do “tapete” na Copa do Catar