Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2018 - Ano 6

Uganda negocia com Israel para receber centenas de refugiados africanos

16 abril, 2018
Uganda negocia com Israel para receber centenas de refugiados africanos

Uganda está negociando com Israel para acolher cerca de 500 refugiados eritreus e sudaneses, entre os milhares que o governo israelense quer deportar, informou dia 13, o secretário de Estado de Preparação para Alívios e Desastres do país africano, Musa Ecweru. A informação é da EFE.

Em comunicado, Ecweru afirmou que os refugiados, antes de sua possível instalação em Uganda, “terão que superar um rigoroso processo de apuração para verificar sua idoneidade para a concessão de asilo no país”.

O anúncio aconteceu depois da publicação de informações jornalísticas que falavam que Uganda e Israel tinham assinado um acordo para a transferência dessas pessoas, em troca de apoio militar e econômico israelense para o país africano.

O Executivo de Uganda tinha negado essa informação até hoje, quando o secretário de Estado admitiu que “o governo e o ministério estão considerando positivamente o pedido”.

Acordo cancelado

No último dia 3, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, cancelou o acordo firmado com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) para evitar a deportação forçada de 32 mil imigrantes africanos, que previa a permanência de metade dessas pessoas em solo israelense e transferisse os restantes para países ocidentais.

A maioria dos imigrantes e solicitantes de asilo africanos, que chegaram ao território israelense entre 2006 e 2012, vive na zona sul de Tel Aviv. Parte da população israelense desses bairros vem protestando com firmeza contra a presença desses milhares de imigrantes há anos.

Em janeiro, Israel anunciou um plano de deportação em massa que seria aplicado a 32 mil dos 38 mil imigrantes africanos que se estima que há no país, a maioria eritreus e sudaneses, excluindo 6 mil, que são menores de idade ou casais com filhos pequenos, e começaram a entregar as ordens de deportação a partir de fevereiro.

O plano foi alvo de rejeição social, com protestos que reuniram multidões contrárias à medida do governo e membros de todo o espectro da sociedade civil israelense manifestando solidariedade aos imigrantes.

Da Agência EFE

Imigrantes africanos e ativistas israelenses protestam contra o governo em JerusalémREUTERS/Ammar Awad/Arquivo/Direitos Reservados