Sexta-Feira, 23 de Fevereiro de 2018 - Ano 6

Fibrilação atrial ainda é doença desconhecida por maioria dos brasileiros

12 fevereiro, 2018
Fibrilação atrial ainda é doença desconhecida por maioria dos brasileiros

A pesquisa “A percepção do brasileiro sobre doenças cardiovasculares”, encomendada pela Boehringer Ingelheim (BI) em parceria com o Ibope Conecta, mostrou que 66% dos entrevistados afirmam conhecer as doenças cardiovasculares, que figuram como as principais causas de morte no mundo. O estudo ouviu 2.001 homens e mulheres, com idades entre 18 e 65 anos, das classes A, B e C, residentes das cinco regiões do país, entre julho e agosto de 2017. As doenças mais citadas pelos entrevistados foram infarto do miocárdio (41%), hipertensão (32%), AVC (24%) e arritmia (23%).

Entretanto, embora seja a arritmia cardíaca mais comum do mundo, a fibrilação atrial (FA), que leva o coração a bater em um ritmo irregular e descompassado, favorecendo a formação de coágulos nos átrios, ainda é desconhecida. A pesquisa indicou que 63% do total dos entrevistados nunca tinham ouvido falar sobre a doença, que atinge entre 1.5 milhão e 2 milhões de brasileiros.

“Esse é um resultado alarmante, pois a fibrilação atrial é um dos mais importantes fatores de risco para o AVC, principal causa de incapacidade funcional globalmente”, destaca José Francisco Kerr Saraiva, cardiologista e professor da PUC Campinas. De acordo com o especialista, a relação entre as doenças ocorre porque a FA favorece a formação de coágulos no coração, que podem se desprender, entrar na circulação sanguínea e chegar até o cérebro, causando a obstrução dos vasos locais e provocando o AVC em suas formas mais graves.

A pesquisa ilustra a conexão entre as doenças: 30% das pessoas entrevistadas diagnosticadas com fibrilação atrial ou que conhecem alguém com essa arritmia já sofreram um AVC. “No Brasil, todos os anos, 51 mil casos de AVC são decorrentes da FA e mais de 30 mil poderiam ser evitados com o tratamento anticoagulante adequado. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento correto dessa arritmia são essenciais para assegurar o bem-estar e qualidade de vida do paciente”, pontua Saraiva.

Contudo, o estudo traz à tona que 47% dos entrevistados com FA não fazem uso de medicação anticoagulante, ficando mais expostos às complicações da doença. Segundo o especialista, o dado pode ser justificado devido à preocupação com sangramentos, um dos principais efeitos colaterais dos anticoagulantes. “A medicina evoluiu e, hoje, já temos no mercado um agente reversor de efeito imediato e momentâneo, que age especificamente revertendo a ação de dabigatrana. O seu uso é exclusivamente hospitalar, destinado para cirurgias emergenciais ou em caso de sangramentos incontroláveis que podem ser ocasionados por acidentes”, finaliza o médico.

Da  Redação SRzd

Imagem de capa Saúde de idosos. Foto: Divulgação