Terça-Feira, 21 de Novembro de 2017 - Ano 6

União infeliz

12 novembro, 2017

A união esponsalícia considerada menos feliz traduz uma experiência bastante dolorosa.

Não se defende que uma pessoa suporte a contragosto a truculência e o peso de outra.

Todo Espírito é livre para definir-se, em seu pensamento, quanto às próprias resoluções.

Entretanto, antes de se optar pelo rompimento, convém refletir sobre o que seria uma verdadeira libertação.

A Lei Divina se encontra inscrita na consciência de cada ser e jamais é burlada.

Toda pedra lançada nos caminhos alheios também permanece com quem a lança, na forma de sofrimento.

A angústia persiste enquanto não se remove a sua causa.

Nas ligações afetivas, colhem-se muitas alegrias.

Contudo, é também dentro delas que surgem as provas mais duras.

Afinal, sempre se recebe, no companheiro ou na companheira da vida íntima, o reflexo do que se é.

Enquanto não for devidamente solvido, o passado teima em retornar na forma de experiências purificadoras.

O matrimônio pode ser precedido de doçura e de esperança.

Mas isso não impede que a sucessão dos dias traga aos cônjuges o resultado das criações que deixaram para trás.

A jovem suave, que hoje fascina, será talvez amanhã a mulher transtornada, capaz de impor graves dificuldades aos projetos de felicidade de seu marido.

No entanto, essa mesma jovem foi em outras existências a vítima de seu atual esposo.

Por deslealdade ou inconsequência, ele a converteu na mulher temperamental ou infiel que agora lhe cabe relevar e retificar.

Hoje um rapaz distinto atrai a companheira para os laços da comunhão mais profunda.

Quem sabe amanhã ele será o homem cruel e desorientado, que a cumulará de aflições e constrangimentos.

Ocorre que esse mesmo rapaz, em vidas pretéritas, foi vítima da companheira atual.

Então, desregrada e caprichosa, ela lhe desfigurou o caráter e o converteu no homem vicioso ou fingido que agora deve tolerar e reeducar.

Muitas vezes se ama alguém, a quem se entrega, no ajuste sexual, desejando uma ligação duradoura e profunda.

Somente depois é que nesse alguém se surpreendem defeitos e nódoas antes invisíveis.

Nesses casos, se está diante de uma pessoa a quem se dilapidou no passado.

Hoje, ela fere exatamente nos pontos em que foi ferida.

Não se trata só de processo de cobrança e acerto de contas.

A criatura prejudicada está a esmolar compreensão e assistência, para se refazer perante as leis dos destinos.

Nesse contexto mais amplo, a união supostamente infeliz deixa de ser um cárcere de lágrimas para se converter em um educandário amoroso.

Nela, o Espírito equilibrado e afetuoso, longe de desertar, aceita, quando consegue, auxiliar sua vítima do passado.

Com isso, liberta-se das sombras do ontem para elevar-se, em silenciosa vitória sobre si mesmo, para os domínios da luz.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 9, do
livro Vida e sexo, pelo Espírito Emmanuel, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 03.09.2010.