Quarta-Feira, 19 de Junho de 2019 - Ano 6

Atletas abrem mão do estudo e arriscam futuro no esporte

23 abril, 2017

Li e transcrevo porque gostei do texto e do assunto.

No atual cenário do futebol brasileiro, encontrar um jogador profissional que conseguiu concluir a faculdade não é comum. Calendário lotado de jogos em dia de semana, viagens constantes e falta de tempo para estudar são alguns dos motivos que afastam atletas das salas de aula. Uns conseguem conciliar, outros abrem mão e arriscam tudo no mundo que gira em torno das quatro linhas. A aposta é perigosa, mas muitos decidem por este caminho.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela Universidade do Futebol, a proporção de jovens que conseguem alcançar êxito no futebol é baixa. Segundo o levantamento, de 3 mil crianças que tentam seguir a carreira de jogador de futebol profissional, apenas uma consegue. “O futebol é uma fábrica de talentos, mas uma grande fábrica de frustração também. Além das tradicionais ‘peneiras’, onde pouquíssimos são aprovados, estes meninos ainda vivem um processo extremamente excludente até chegar a ser atleta profissional”, explica Eduardo Tega, diretor da instituição, que promove o ensino online e presencial através do compartilhamento de conteúdos para capacitação e qualificação no futebol.

Para Tega, abandonar os estudos e se dedicar apenas ao esporte é arriscado, mas uma prática comum entre atletas de futebol. “O jovem que é premiado com a contratação de um clube muitas vezes foca apenas nisso, porque enxergam essa oportunidade como a grande salvação não apenas dele, mas de toda a família. Muitos priorizam o sonho”, avalia.

O diretor, que já atuou em conjunto com vários clubes do país, conta ainda que em muitos casos a decisão de ter de escolher entre esporte ou estudo não é tomada pelo jovem, mas pelos pais ou responsáveis. “Já fiz trabalhos em alguns clubes e, quando buscávamos oportunidades de estudo para estes meninos, muitos pais nos procuravam para brigar, tirar satisfação. Diziam que o filho estava no clube para jogar bola, não para estudar. Os filhos são uma aposta, a salvação de dar uma via melhor para todos”, lamenta.

Ciente de que o número de atletas graduados ainda é muito baixo, Tega atribui o fato a um problema que vem desde as divisões de base, quando o atleta ainda está na adolescência. “Falta ao clube formador ter melhores parâmetros em relação à educação. Muitos oferecem apenas o básico, que é matricular o atleta em uma escola pública. Quando ele conclui o ensino médio, dizem que cada um tem sua decisão, mas dificilmente incentivam a fazer uma faculdade. Além disso, eles têm muitos jogos, viajam, tem calendário apertado e acabam optando pela carreira, não pelo estudo”, diz ele, que acredita que muitos clubes brasileiros adotam o discurso de que escola é fundamental, mas não fazem a teoria valer na prática.

Atletas também são “culpados”
Defensor declarado da educação aliada ao estudo, o diretor acredita que, além de incentivo, também falta empenho e vontade de muitos atletas. ”A educação ajudaria muitos os atletas, inclusive dentro de campo, mas muitos não enxergam isso. Existe uma acomodação de clubes e atletas em alguns casos. Para ajudar a incentivar os jogadores e fazerem faculdade, por exemplo, o Paulista de Jundiaí aumentou os salários dos graduados. Foi o caso do goleiro Victor, que conseguiu conciliar as duas atividades”, analisa.

“Muitas vezes os jogadores generalizam, dizem que não têm tempo para estudar, mas dá para conciliar sim. Além do ensino à distância, dá para fazer uma faculdade. Claro que não no tempo proposto pela instituição, mas dá para concluir. É um sacrifico extra, um esforço muito grande, mas cabe ao atleta enxergam isso como uma coisa de fundamental importância. Alguns clubes ajudam nisso pagando as faculdades desses jovens”, conta.

Mj.